29 Maio 2009

Soberba



Tive um insight agora. Não seria esse elefante do Dalí, detalhe mais ao fundo do quadro, que está nesse e em outros quadros dele, uma ótima metáfora para a Soberba?
Estruturas desproporcionalmente frágeis seguram uma massa corpulenta de peso descomunal. E se elas se romperem, imagina o peso que não cai sobre aquele que se arrisca a carregar o bicho?

Eita. O estranho bicho homem.

(Dream Caused by the Flight of a Bee around a Pomegranate - Salvador Dalí. Imagem do site www.art.com)

18 Fevereiro 2009

"Esquartejado em dois"

Imaginem vocês a dor que um marisco não sente quando alguém aaaaaaabre aquelas duas conchas apertadinhas dele pra disfrutá-lo. Lembrem da força enorme que eles tem, quando vocês ainda crianças tentavam abrir os que encontravam na praia.
Ou mesmo a dor de um pistache sendo aberto pra que a gente possa também aproveitar aquele sabor maravilhoso. Lembram daqueles pistaches que vinham tão fechadinhos que tinha que quebrar a casca? Pensa na força que eles têm. Imaginem vocês a dooooor que esse pobre coitado do pistache que vem com uma brechinha não sente quando a gnte puxa as duas casquinhas até "TLEC" ele abrir todo.
Façam um esforço para realmente imaginar o tamanho dessa dor, do marisco e do pistache.
Mas depois é tão gostoso, né?
Agora imaginem um coração que viveu a vida toda achando que era tartaruga, se enfiou dentro do casco sem querer sair, dando só uma escapadinha de vez em quando. E imaginem que o dono desse coração resolveu que ele tem que sair daí. Não bruscamente, que esse dono não é nenhum carrasco. Começando com um buraquinho beeem pequenininho no casco, mas pra de algum jeito começar a colocar esse coração pra fora. Imaginem A DOR que ele não vai sentir. Vai ser gostoso depois, é claro. Mas essa dor deve ser como ser "esquartejado em dois", que nem o marisco e o pistache.


Pela primeira vez eu me presto voluntariamente a sentir dor. Espero que aguente.

***

[Outro assunto. Espaço que eu me reservo pra uma homenagem.]
Lôra, espero que a sua luz seja levada pra um lugar bem bonito lá no espaço. Voa bem!

12 Fevereiro 2009

Simples assim.

Estava eu, no último fim de semana, em Itanhaém, litoral sul de Sampa. Deitada na rede, devorava as peripécias de Amory Blaine em "Este Lado do Paraíso" (F. Scott Fitzgerald), que em breves momentos se torna aquele livro em que a gente simplesmente não consegue ir pra frente.
Nesse momento, quando a gente abaixa o livro e fecha um pouquinho os olhos, percebi que a Laura e a Isabela, que têm uns 6 anos, chegavam de mansinho pensando que eu estava dormindo. Eu ri e disse que estava lendo. (Elas não disseram, mas sei que queriam brincar na rede) e a Laura me perguntou: "Por que você não lê uma página por dia?".

Como é que que eles conseguem fazer tudo tão simples?

05 Setembro 2008

One-girl-circus

(Garatuja que estava perdida nos arquivos do meu computador. Acredito que seja de janeiro ou fevereiro de 2008. Achei interessante publicá-la, mesmo inacabada, não lapidada.)

Meu desejo escorre feito fumaça de picadeiro, toca sua pele e você, com os dotes próprios de um grande mágico, faz que nem sente. E então sorri pra mim. E eu, que talvez seja até um pouco palhaça, sorrio pra você e me transformo no circo todo de uma vez só! Me sinto uma domadora de leões prestes a perder a cabeça nos dentes de um desejo feroz; uma contorcionista invisível, que, sem dor aparente, contorce as entranhas admiravelmente; uma acrobata insistente, que mesmo depois de tanto cair do trapézio e quebrar as costelas continua trapeziando sem trapacear. E nesse circo desconjuntado, você continua a brincar. E eu me contento em ser apenas mais alguém na platéia, só porque sou diferente: só eu conheço seus truques.

30 Agosto 2008

Ambigüidade da razão.

"O que é um homem cujo principal uso e melhor aproveitamento
Do seu tempo é comer e dormir? Apenas um animal.
É evidente que esse que nos criou com tanto entendimento,
Capazes de olhar o passado e conceber o futuro, não nos deu
Essa capacidade e essa razão divina
Para mofar em nós, sem uso. Ora, a não ser por esquecimento animal,
Ou por indecisão pulsilânime,
Nascida de pensar com excessiva precisão nas conseqüências -
Uma meditação que, dividida em quatro,
Daria apenas uma parte de sabedoria
E três de covardia - eu não sei
Por que ainda repito: - "Isso deve ser feito",
Se tenho razão, e vontade, e força e meios
Para fazê-lo."

Hamlet na Cena IV, Ato IV de Hamlet, William Shakespeare.
E por isso ele é eterno...

24 Agosto 2008

De traumas e tempo.

Pra quê eu vou dormir se eu posso passar a noite passeando sobre as linhas do teu corpo?

Há tempo, você diz.
Passei por lugares onde os ponteiros dos relógios iam e voltavam sem motivo aparente.
Por isso eu vivo de noites contadas. Me alimento do agora e anseio como quem tem fome.
Por isso suas âncoras, tão lindas, parecem se dissolver assim que lançadas.
E eu naufrago no meio das minhas inseguranças, com medo de ter que tragar outra vez todo o meu carinho. Ou de te afogar nele.

Só não quero que a noite acabe.
Preciso lembrar de respirar.

17 Agosto 2008

"Vou pra rua e bebo a tempestade"

Os obstáculos foram inventados para serem superados. O medo foi inventado pra dar sabor de desafio.
A tempestade troveja para mim. Cão que ladra não morde: eu quero é me molhar.